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Hepatite: saiba mais sobre a doença - Blog - Clínica Rossetti


A hepatite inflama o fígado e surge por diversos fatores, como vírus, medicamentos, álcool, drogas, além de doenças autoimunes, metabólicas ou genéticas.

Em alguns casos, infecções evoluem e provocam hepatite.

Geralmente, os sintomas aparecem de forma repentina e desaparecem em até seis meses. No entanto, em certas situações, eles persistem e, com o tempo, a condição se agrava de maneira progressiva.

Cenário Nacional

Nos últimos dias, o Brasil enfrenta um preocupante surto de hepatite A, sobretudo em Belo Horizonte, onde os casos triplicaram entre janeiro e abril de 2025.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os registros aumentaram 265% em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 95 pessoas diagnosticadas na capital mineira.

A doença atinge, principalmente, homens entre 20 e 49 anos, com maior concentração na região Centro-Sul da cidade.

A ausência de saneamento básico e os hábitos inadequados de higiene favorecem a disseminação da hepatite A. Por isso, as autoridades de saúde já atuam para investigar as causas do crescimento alarmante e, ao mesmo tempo, aplicar medidas eficazes de controle.

Para conter o avanço da doença, o Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação. Além disso, recomenda cuidados com a higiene pessoal e a escolha de alimentos com procedência segura.

Diante desse cenário, a população precisa se manter atenta aos sintomas — como febre, fadiga, náuseas e pele amarelada — e procurar atendimento médico assim que perceber qualquer sinal suspeito.

Tipos de hepatite

Alguns tipos de hepatite ocorrem com mais frequência do que outros. Entre eles, destacam-se:

Hepatite viral – Este é o tipo mais comum. Vírus específicos causam a infecção e, por isso, ela se espalha com facilidade.

Hepatite tóxica – Substâncias químicas podem desencadear esse tipo de hepatite. Além disso, o consumo excessivo de álcool e o uso de determinadas drogas também provocam formas específicas da doença, como a hepatite alcoólica e a induzida por medicamentos. Dependendo do caso, ela pode se manifestar de maneira aguda ou se tornar crônica ao longo do tempo.

Hepatite autoimune – Embora mais rara, essa forma crônica ocorre quando o próprio sistema imunológico ataca os tecidos do fígado. Como resultado, o órgão sofre danos progressivos, o que exige diagnóstico e tratamento precoces.

Tipo A

Esse tipo ocorre se comer ou beber algo contaminado, geralmente ocorre em países com saneamento precário.

Ela geralmente desaparece em poucos meses, mas às vezes pode ser grave e até fatal.

Não há tratamento específico para isso, além de aliviar sintomas como dor, náusea e coceira.

Tipo B

Ela é transmitida pelo sangue de uma pessoa infectada.

Geralmente é transmitida de gestantes infectadas para seus bebês ou pelo contato entre filhos.

A maioria dos adultos infectados consegue combater o vírus e recuperam da infecção em alguns meses.

Mas a maioria das pessoas infectadas na infância desenvolve uma infecção de longo prazo, podendo levar à cirrose e ao câncer de fígado.

Tipo C

É o tipo mais comum do tipo viral.

A transmissão é mais comum por meio do compartilhamento de agulhas usadas para injetar drogas.

Ela geralmente não causa sintomas perceptíveis ou apenas sintomas semelhantes aos da gripe.

Tipo D

Esse tipo ocorre apenas em pessoas já infectadas com hepatite B, isso ocorre porque ela precisa do vírus da hepatite B para sobreviver no corpo.

Ela é geralmente transmitida por contato sanguíneo ou sexual.

A infecção prolongada por hepatite D pode aumentar o risco de desenvolver problemas sérios, como cirrose e câncer de fígado.

Tipo E

O vírus da hepatite E tem sido associado principalmente à ingestão de alimentos crus ou malpassados.

Ela é geralmente uma infecção leve e de curta duração que não requer tratamento. Mas pode ser grave em algumas pessoas, como aquelas com sistema imunológico enfraquecido.

Principais causas da hepatite

A causa mais comum é a exposição a vírus.

Outros problemas de saúde podem causar a doença, como a exposição a toxinas como álcool, drogas e inclusive medicamentos e produtos químicos.

Transmissão

A transmissão pode ocorrer das seguintes formas:

  • Fluidos corporais: A hepatite B pode ser transmitida pela saliva, sêmen e fluidos vaginais. A hepatite B crônica pode ser transmitida de pais para filhos durante o parto.
  • Sangue contaminado: As hepatites B, C e D podem ser transmitidas pelo contato com o sangue de alguém portador do vírus. Isso geralmente acontece quando as pessoas compartilham agulhas para uso de drogas intravenosas.
  • Intoxicação alimentar: A hepatite A ou E pode ser transmitida se comer alimentos ou beber água com o vírus.

Outras condições que a doença é transmitida:

  • Colestase: Essa condição faz com que a bile se acumule no fígado, causando inflamação.
  • Citomegalovírus: É causado pelo vírus do herpes e pode levar à hepatite se o sistema imunológico estiver
    fraco.
  • Vírus Epstein-Barr: Este vírus altamente contagioso frequentemente causa hepatite aguda
  • Hemocromatose: A hemocromatose primária é uma condição genética rara que faz com que o corpo absorva muito ferro.
  • Doença hepática asteatótica associada à disfunção metabólica: Nessa condição, há excesso de gordura no fígado, causando a doença.
  • Doença de Wilson: Trata-se de uma doença rara, e sendo uma condição genética ocorre quando há excesso de cobre no corpo.  Os altos níveis de ferro no fígado causam inflamação.

Sintomas

No início a doença não apresenta os sintomas, no entanto, pode apresentar um tempo depois:

  • Diarreia
  • Fadiga
  • Fraqueza
  • Febre
  • Náuseas ou perda de apetite
  • Dor no lado direito da parte superior da barriga

Os sintomas da hepatite crônica incluem:

  • Confusão, desorientação ou sonolência
  • Urina de cor escura e fezes de cor clara
  • Coceira na pele
  • Pele amarelada ou coloração amarelada na parte branca dos olhos (icterícia)

Principais complicações da hepatite

A hepatite grave ou persistente pode acarretar:

  • Cirrose: É a formação de cicatrizes no fígado causadas pela hepatite crônica. Essas cicatrizes ocorrem quando o fígado tenta reparar os danos causados ​​pela doença.
  • Câncer de fígado: O carcinoma hepatocelular é a forma mais comum de câncer de fígado. A cirrose (cicatrização do fígado) causada pelos vírus da hepatite B e C é responsável por cerca de metade de todos os casos de carcinoma hepatocelular.
  • Insuficiência hepática: Ocorre quando o fígado para de funcionar. A hepatite viral aguda que ataca o fígado pode causar insuficiência hepática. A cirrose causada pela hepatite crônica pode causar insuficiência hepática.
  • Hipertensão portal: Nessa condição, o tecido cicatricial da cirrose impede que o sangue circule por uma veia importante do fígado.

Diagnóstico da hepatite

Quando relatado os sintomas típicos da doença, os principais exames solicitados são:

  • Exame de função hepática
  • Exames de imagem, incluindo cintilografia nuclear do fígado e do baço ou elastografia
  • Biópsia hepática

Tratamento

Em que pese muitos fatores podem desencadear a doença, o tratamento ocorre:

  • Mudanças no estilo de vida: Mudanças como evitar o álcool, comer uma variedade de frutas e vegetais ajudam a aliviar os sintomas do tipo A e do tipo B aguda.
  • Antivirais: Este é o tratamento para o tipo B crônica. Os antivirais não curam a doença, mas pode reduzir o risco de transmissão para outra pessoa e diminui as chances de causar complicações.
  • Antivirais de ação direta: Esses medicamentos tratam o tipo C e têm como alvo as proteínas que os vírus usam para infectar as células do corpo.
  • Transplante de fígado: O tipo B crônica pode levar à insuficiência hepática.

Cura

O tipo de doença determina se há possibilidade de cura. A hepatite A desaparece geralmente sem necessidade de tratamento médico, enquanto os medicamentos antivirais de ação direta curam o tipo C.

Por outro lado, apenas um transplante de fígado pode curar a hepatite B crônica.

Prevenção da hepatite

Para prevenir a hepatite, é essencial adotar algumas medidas.

  • Vacinação: As vacinas disponíveis protegem contra os tipos virais A e B.
  • Higiene adequada: Lavar as mãos após usar o banheiro e antes e após manusear alimentos evita a contaminação.
  • Uso responsável de medicamentos: Seguir as instruções médicas e evitar o uso indiscriminado de remédios contribui para a prevenção da hepatite tóxica.

Considerações finais

Concluimos que diversos fatores, como vírus, medicamentos, álcool, drogas e doenças autoimunes, metabólicas ou genéticas, provocam a inflamação do fígado conhecida como hepatite.

A exposição a toxinas, incluindo álcool, drogas, medicamentos e produtos químicos, também contribui para o desenvolvimento da doença.

Os sintomas aparecem de repente, persistem por um período de até seis meses e podem desaparecer. No entanto, em alguns casos, a condição permanece e piora.

A possibilidade de cura depende do tipo de hepatite. Para formas crônicas, apenas o transplante de fígado garante a recuperação total.

Por fim, a prevenção eficaz envolve hábitos essenciais, como manter uma boa higiene, receber a vacina e usar medicamentos somente com prescrição médica.



Por: Kelma Yaly - 23 de maio de 2025
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