FIQUE POR DENTRO

Autismo tem exame? O que realmente ajuda no diagnóstico

Kelma Yaly

O autismo é uma diferença no funcionamento cerebral que influencia, diretamente, a forma como a criança interage com o mundo ao seu redor. Vale ressaltar, primeiramente, que não se trata de uma doença, mas sim de um espectro.

Nesse sentido, o fato de ser um espectro significa que não existe uma abordagem única para o apoio; pelo contrário, os profissionais devem adaptar o suporte às necessidades e preferências específicas de cada indivíduo.

Contudo, diante dessa complexidade, surgem dúvidas comuns: como é realizado o diagnóstico? Existe, de fato, um exame específico para isso? Essas são perguntas fundamentais para a compreensão do autismo e, portanto, serão respondidas detalhadamente no decorrer deste artigo.

Transtorno do espectro autista

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser definido como uma diferença no funcionamento cerebral que afeta a forma como a pessoa se comunica e interage com os outros.

Essa diferença cerebral também afeta vários aspectos do comportamento, interesses ou atividades, como por exemplo, repetir movimentos ou sons.

Sinais e sintomas do autismo

Quando criança os principais sinais que se apresentam são:

  • Não segue o olhar nem presta atenção
  • Não responde seu nome
  • Parece desinteressado em brincadeiras de revezamento como esconde-esconde
  • Desvia o olhar em vez de olhar nos olhos
  • Usa a mão como ferramenta para pegar coisas que deseja
  • Prefere brincar sozinho

Quando na adolescência os sinais são:

  • Tem dificuldade em entender o que os outros querem dizer
  • Não inicia interações sociais
  • Faz pouco ou nenhum contato visual
  • Tem dificuldade em combinar palavras faladas e linguagem corporal
  • Tem dificuldade em construir relacionamentos com os colegas
  • Não entende certas regras sociais, como cumprimentos ou espaço pessoal
  • Parece distante na presença de outras pessoas

Em regra há grande dificuldade em diferenciar uma criança portadora de autismo de outra que não é, pois muitos sinais/sintomas mencionados acima podem ser considerados como uma fase para uma criança que não é portadora.

Ocorre que no autismo, esses comportamentos são mais do que uma fase e podem representar desafios na escola ou na socialização com os colegas.

Principais causas do autismo

Não se sabe ao certo a causa especifica para o autismo, mas é provável que seja uma combinação de fatores genéticos e certos aspectos relacionados à gravidez, ao trabalho de parto.

Alguns fatores específicos que podem aumentar a probabilidade de autismo e são:

  • Engravidar após os 35 anos
  • Engravidar dentro de 12 meses após ter outro bebê
  • Ter diabetes gestacional
  • Sangramento durante a gravidez
  • Tamanho fetal menor do que o esperado
  • Redução do oxigênio para o feto durante a gravidez ou o parto.
  • Parto prematuro

Esses fatores podem alterar diretamente o desenvolvimento cerebral da criança.

Diagnóstico

O primeiro diagnóstico ocorre quando da consulta com pediatra que verifica sinais de atraso no desenvolvimento.

Os sintomas e a gravidade do transtorno do espectro autista podem variar bastante, o diagnóstico pode ser difícil.

Não existe um exame médico específico para diagnosticar o transtorno do espectro autista.

Os profissionais de saúde podem realizar testes genéticos para verificar variações genéticas associadas ao autismo, mas esses testes genéticos não diagnosticam, no entanto, podem ajudar a identificar a causa das diferenças cerebrais da criança.

Por outro lado, os profissionais da saúde utilizam critérios para a identificação.

São eles:

  • Reciprocidade socioemocional: Interação na socialização. Um exemplo comum é manter uma conversa.
  • Comunicação não verbal: São os movimentos e gestos sutis que acrescentam significado às palavras como contato visual e linguagem corporal são exemplos.
  • Desenvolver e manter relacionamentos: Isso envolve procurar pessoas para passar mais tempo.
  • Envolver-se em movimentos repetitivos, uso de objetos ou fala: Isso significa fazer ou dizer a mesma coisa repetidamente.
  • Insistir nas mesmas maneiras de fazer as tarefas: resistência à mudança.
  • Ter interesses incomuns: Trata-se de um interesse por um determinado objeto.
  • Reagir mais do que o esperado a estímulos visuais, sonoros e táteis.

Tratamento

Existem muitas terapias diferentes disponíveis para apoiar crianças com autismo, e essas terapias ajudam a lidar com os desafios que enfrenta e a desenvolver seus pontos fortes.

O tratamento consiste em:

  • Terapia cognitivo-comportamental
  • Medicamentos
  • Encaminhamentos para apoio educacional, por exemplo para criar um Plano Educacional Individualizado para atender às necessidades de aprendizagem da criança

Pode ocorrer que a criança diagnosticada com autismo possa desenvolver outros transtornos e desse modo um tratamento concomitante será necessário.

Tratamento para condições concomitantes

As condições que podem ocorrer em conjunto com o autismo incluem:

Medicina alternativa

Tendo em vista que o transtorno do espectro autista não tem cura, há opções de terapias alternativas ou complementares.

As terapias complementares podem oferecer benefício quando usadas em conjunto com tratamentos comprovados incluem:

  • Terapias criativas: A arteterapia ou musicoterapia juntamente com terapias educacionais e médicas pode tornar a criança menos sensível ao toque ou ao som.
  • Terapias sensoriais: Visa estimular os sentidos, como o tato, o equilíbrio e a audição.
  • Terapia com animais de estimação ou cavalos: Os animais de estimação podem proporcionar companhia e momentos de descontração

Algumas terapias complementares e alternativas não têm eficácia comprovada, e como exemplos de terapias complementares e alternativas são suplementos vitamínicos e probióticos e acupuntura.

Considerações finais

O autismo é uma diferença no funcionamento do cérebro que influencia diretamente a forma de interação com o mundo.

Nesse sentido, é fundamental compreender que não se trata de uma doença, mas sim de um espectro. Dessa forma, não se busca uma cura, uma vez que a condição se manifesta de maneiras muito distintas em cada indivíduo.

No que diz respeito ao diagnóstico, vale ressaltar que não existe um exame clínico específico; por isso, o caminho para obtê-lo costuma ser longo e criterioso. Isso ocorre, em grande parte, devido ao fato de que alguns sinais e sintomas podem ser facilmente confundidos com fases típicas do desenvolvimento infantil.

Atualmente, os profissionais de saúde reconhecem o autismo como um espectro composto por uma ampla gama de características, o que implica que cada criança demandará diferentes níveis de suporte.

Embora as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) continuem aprendendo e desenvolvendo estratégias de adaptação ao longo de toda a vida, a necessidade de apoio especializado permanece frequente.

Portanto, quanto mais cedo se inicia o acompanhamento multidisciplinar , incluindo terapias ocupacionais e fonoaudiologia, entre outras , maiores são as chances do indivíduo desenvolver autonomia e conquistar uma melhor qualidade de vida.

Publicado em: 3 de abril de 2026  ·  Atualizado: 3 de abril de 2026
Agende em nosso WhatsApp