Você sabia que o cansaço crônico pode estar diretamente relacionado a um problema intestinal?
Atualmente, os cientistas investigam se alterações no intestino, especialmente na microbiota, podem influenciar nos processos inflamatórios do organismo, ocasionando assim a disbiose intestinal.
Em termos simples, a disbiose caracteriza-se como uma desordem na comunidade de microrganismos que vivem juntos no trato digestivo, o microbioma. Como resultado dessa falta de harmonia, diversas funções do corpo acabam sendo afetadas.
Com o objetivo de esclarecer o assunto, neste artigo serão abordados detalhadamente as principais causas desse cenário, os seus sintomas mais comuns e, por fim, as melhores estratégias de tratamento.
A disbiose intestinal significa que há um desequilíbrio nos tipos de microrganismos existentes, ou seja, não apresenta uma variedade saudável, onde vírus, bactéria convivem em modo desordenado.
A redução da variedade e do equilíbrio desses microorganismos pode abrir caminho para que um tipo de microrganismo domine, tornando o organismo mais vulnerável a infecções causadas por germes que vivem dentro e fora do corpo.
A disbiose intestinal está ligada em diversas doenças gastrointestinais que afetam o sistema digestivo, que podem ser:
A doença pode estar indiretamente envolvida em diversas outras condições, incluindo:
Ademais, o microbioma intestinal também interage com o cérebro e com outros sistemas do corpo, incluindo:
Há três tipos de disbiose e classificar a doença ajuda a alcançar o melhor tratamento.
Tipo 1
Ocorre quando há perda de boas bactérias intestinais.
Tipo 2
Quando há um aumento de bactérias nocivas no estômago.
Tipo 3
Há perda de diversidade geral no microbioma intestinal, ou seja, redução tanto das bactérias boas quanto das ruins.
Pode-se elencar como causas principais para ocorrência da disbiose intestinal:
1. Alimentação
Excesso de ultraprocessados e açúcar refinado: Esses alimentos servem de combustível rápido para microrganismos inflamatórios, que se multiplicam desordenadamente.
Baixo consumo de fibras: As fibras e os amidos resistentes (encontrados em vegetais, leguminosas e grãos integrais) são o alimento principal das bactérias benéficas. Sem eles, essas bactérias morrem de fome.
Gorduras saturadas de má qualidade e gorduras trans: Podem alterar a permeabilidade da barreira intestinal, favorecendo processos inflamatórios.
2. Medicamentos
Certos medicamentos alteram drasticamente o ecossistema intestinal, comprometendo a saúde ecológica. O principal exemplo disso são os antibióticos.
Embora essenciais para combater infecções, esses fármacos agem como um verdadeiro "incêndio florestal" no intestino, eliminando tanto as bactérias ruins quanto as boas.
Como resultado, a recuperação da microbiota após um ciclo de tratamento pode levar meses. Do mesmo modo, os protetores gástricos também exercem um impacto negativo expressivo; afinal, ao reduzirem a acidez do estômago, eles permitem que bactérias que normalmente seriam destruídas pelo suco gástrico passem vivas para o trato intestinal.
Além desses, o uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e laxantes merece atenção, visto que essa prática contínua pode lesionar a mucosa e alterar significativamente a motilidade do intestino.
1. Estresse crônico e cortisol
O eixo cérebro-intestino é uma via de mão dupla muito ativa. O estresse psicológico prolongado eleva os níveis de cortisol que:
2. Estilo de Vida
Privação de sono: O sono irregular ou de má qualidade desregula o ritmo circadiano do próprio corpo e, por consequência, o ciclo de atividade e repouso das bactérias intestinais.
Sedentarismo: A prática regular de exercícios moderados está diretamente associada ao aumento da diversidade bacteriana benéfica.
Consumo excessivo de álcool e tabagismo: Ambas as substâncias têm efeito tóxico direto sobre as células da parede intestinal e sobre a microbiota.
3. Idade e fatores clínicos
Mastigação deficiente: Pular a digestão inicial na boca faz com que pedaços grandes de alimentos cheguem ao cólon, sofrendo um processo de fermentação excessiva ou putrefação.
Doenças pré-existentes: Condições como a Síndrome do Intestino Irritável, doença de Crohn, retocolite ulcerativa e até infecções gastrointestinais passadas (como uma infecção alimentar severa) deixam o ambiente propenso ao desequilíbrio crônico.
Os sintomas da disbiose intestinal variam muito de pessoa para pessoa e podem ser divididos em diferentes categorias, conforme apresentado a seguir:
De modo geral, estes são os principais sinais causados pela fermentação inadequada dos alimentos e pela inflamação da mucosa intestinal:
Gases em excesso e flatulência: Ocorre visto que a fermentação de carboidratos por bactérias patogênicas produz uma quantidade anormal de gases.
Distensão abdominal (estufamento): Caracteriza-se por aquela sensação de que o abdômen está muito inchado, sendo muitas vezes acompanhada de desconforto ou dor.
Alteração do ritmo intestinal: Manifesta-se tanto por meio de diarreia frequente quanto por prisão de ventre (constipação) crônica.
Fezes com alterações: Nota-se a presença de muco, fezes amolecidas ou até mesmo com restos alimentares visivelmente não digeridos.
Halitose: É provocada por gases produzidos no início do trato digestivo ou então gerada pela lentidão no esvaziamento gástrico.
Por outro lado, quando a barreira do intestino fica fragilizada devido ao desequilíbrio bacteriano, toxinas e pedaços de proteínas mal digeridas caem na corrente sanguínea. Como resultado, ocasiona-se um quadro inflamatório sistêmico que gera os seguintes reflexos:
Fadiga crônica e cansaço inexplicável: Surge em decorrência da dificuldade na absorção de nutrientes essenciais (como a vitamina B12 e o ferro) e também devido ao gasto energético do corpo para combater a inflamação de baixo grau.
Alterações de humor: Sabendo que o intestino produz cerca de 90% da serotonina do corpo, a disbiose afeta diretamente o eixo cérebro-intestino, podendo piorar quadros de ansiedade e irritabilidade.
Comprometimento da imunidade: Visto que cerca de 70% das células do sistema de defesa estão localizadas no intestino, a desordem bacteriana torna o organismo mais suscetível a infecções recorrentes (como amigdalites, candidíase de repetição ou infecções urinárias).
Problemas dermatológicos: A inflamação sistêmica frequentemente se reflete na pele, agravando, por conseguinte, quadros de acne, dermatite, psoríase e eczema.
Dores articulares e musculares: Manifestam-se como dores difusas no corpo, que estão intimamente ligadas ao estado inflamatório crônico.
Quando a avaliação clínica baseada em sintomas não é suficiente, são solicitados exames laboratoriais:
Para descartar outros tipos de doença, são solicitados outros exames:
Antes de tudo, o tratamento da disbiose dependerá diretamente daquilo que ocasionou o desequilíbrio. Nesse sentido, pode ser necessária a suspensão de determinados medicamentos, como os antibióticos, ou então a modificação drástica dos hábitos alimentares nos casos de uma dieta não balanceada.
A fim de reverter esse quadro, uma alimentação balanceada torna-se indispensável, visto que ela deve ser rica em vitaminas do complexo B, cálcio, magnésio, betacaroteno e zinco, nutrientes encontrados em abundância em vegetais verdes-escuros, peixes e carnes frescas.
Por outro lado, alguns alimentos precisarão ser reduzidos temporariamente da dieta por conterem compostos inflamatórios ou substâncias químicas nocivas. Entre os principais exemplos, destacam-se: carnes processadas (como embutidos, carnes salgadas ou enlatadas), fontes específicas de carboidratos (como milho, aveia ou pão), certas frutas (como bananas, maçãs e uvas), laticínios (incluindo iogurte, leite e queijo) e, principalmente, alimentos ricos em açúcar refinado.
Além das mudanças dietéticas, também é fundamental adotar estratégias para recuperar de forma ativa a harmonia da microbiota intestinal. Para isso, os probióticos exercem um papel crucial, pois contêm culturas de bactérias benéficas específicas e necessárias ao organismo.
Ademais, eles podem ser introduzidos por meio de suplementação ou pelo consumo de alimentos fermentados que os possuem naturalmente, tais como:
Desse modo, uma alimentação balanceada é o caminho certo para a restauração e manutenção da harmonia da microbiota intestinal.
Em suma, a disbiose intestinal vai muito além de um simples desconforto abdominal, configurando-se como um desequilíbrio sistêmico que afeta o corpo de forma integral.
Como visto ao longo do texto, as causas dessa condição estão profundamente atreladas ao estilo de vida moderno, englobando desde o uso indiscriminado de medicamentos até o estresse e a má alimentação.
Por consequência, o organismo manifesta sinais que variam de alterações digestivas locais a sintomas extraintestinais severos, como a fadiga crônica e oscilações de humor. Diante disso, torna-se evidente que o diagnóstico preciso é fundamental para determinar a raiz do problema.
Portanto, a restauração da harmonia da microbiota não depende de uma fórmula única, mas sim de uma intervenção multifatorial. Desse modo, a adoção de uma alimentação balanceada, associada ao uso estratégico de probióticos e à mudança de hábitos diários, consolida-se como o caminho mais eficaz para devolver a saúde ao intestino e, consequentemente, garantir o bem-estar e a vitalidade de todo o organismo.