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Estilo de vida, intestino e coagulação: qual a relação?

Kelma Yaly

Já é sabido que ter um estilo de vida saudável previne doenças e melhora o metabolismo, mas você sabe a relação entre estilo de vida, intestino e coagulação?

Inicialmente, uma dieta rica em fibras, com boa hidratação e atividade física regular melhora a função intestinal, bem como a circulação sanguínea, reduzindo o risco de condições como a trombose intestinal.

Uma alimentação correta com a ingestão de alimentos ricos em vitamina k favorece o bom funcionamento da coagulação e ajuda a prevenir doenças.

Nesse artigo serão abordados a relação direta entre um estilo de vida, saúde intestinal e coagulação.

Estilo de vida saudável

Os hábitos saudáveis ​​são a base da prevenção de doenças crônicas.

O exercício é muitas vezes o primeiro passo nas modificações do estilo de vida, ou seja, a prática de atividade física regular é vital.

A recomendação são exercícios aeróbicos moderados por semana, como caminhada, natação ou ciclismo. Além disso, exercícios de musculação devem ser incorporados pelo menos duas vezes por semana.

De acordo Organização Mundial da Saúde (OMS), a atividade física semanal deve ser de 150 minutos.

Por essa razão, a atividade física é uma forte aliada a manutenção da saúde do corpo e também do cérebro.

Alimentação saudável

Uma dieta balanceada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras, pode ajudar a manter um peso saudável e reduzir o risco de doenças como diabetes, doenças cardíacas e certos tipos de câncer.

Ademais, ter hábitos alimentares saudáveis tem um grande impacto na manutenção e na melhoria da sua saúde geral.

A ingestão de fibras é essencial para o bom funcionamento do intestino, ajudando a mantê-lo regular e também a protegê-lo contra o câncer de colón.

Para manter uma alimentação saudável, é necessário considerar uma variedade de vitaminas que devem ser ingeridas.

Vitamina K

A vitamina K é uma importante substância, essencial para a coagulação do sangue e cicatrização de feridas. Além disso,  há evidências de que a vitamina K pode ajudar a manter os ossos saudáveis.

A vitamina K é encontrada em:

  • vegetais de folhas verdes – como brócolis e espinafre
  • óleos vegetais
  • grãos de cereais
  • Pequenas quantidades de carnes e laticínios

As pessoas com deficiência de vitamina K podem ser assintomáticas.

No entanto, podem ocorrer também alguns sintomas associados a sangramentos, como hematomas e sangramento gengival, nas fezes e nariz.

A vitamina K é uma vitamina lipossolúvel, ou seja, qualquer dificuldade de absorção de gordura pode provocar deficiência de vitamina K.

Deste modo, podemos citar as seguintes doenças:

  • Fibrose cística: condição genética que afeta os pulmões e o sistema digestivo.
  • Doenças nas vias biliares: como obstruções e inflamações que interferem na secreção da bile.
  • Doença celíaca: condição autoimune em que a ingestão de glúten causa danos ao revestimento do intestino, dificultando a absorção de vitaminas.
  • Doenças inflamatórias intestinais: qualquer inflamação que envolve o trato gastrointestinal pode dificultar a absorção da vitamina K.

Vale ressaltar que o uso de antibióticos pode reduzir a flora intestinal bacteriana produtora de vitamina K, causando diminuição dessa vitamina.

Por outro lado, quando há excesso de vitamina K na forma de suplementos, pode causar pele e olhos amarelados, anemia hemolítica, aumento da bilirrubina no sangue (pigmento amarelo produzido no corpo a partir da quebra da hemoglobina de glóbulos vermelhos velhos ou danificados).

A deficiência na vitamina K muitas vezes pode acarretar problemas de coagulação, afetando o intestino. E se o organismo não tem uma boa coagulação, é muito comum ocasionar a trombose intestinal.

Trombose intestinal

A trombose da veia mesentérica superior é a formação de um coágulo sanguíneo na veia mesentérica superior.

Trata-se de um vaso sanguíneo no abdômen que transporta o sangue do intestino delgado para o fígado.

O coágulo interrompe o fluxo sanguíneo normal entre os diferentes órgãos do abdômen.

Tipos de trombose venosa mesentérica:

  • Aguda: Os sintomas começam repentinamente após a formação do coágulo sanguíneo. Cerca de 60% a 80% de todos os casos de trombose venosa mesentérica são agudos. A trombose aguda pode danificar rapidamente os intestinos, pois o sangue não consegue alcançá-los.
  • Subaguda: Os sintomas aparecem ao longo de vários dias e podem não ser tão graves quanto os da trombose aguda.
  • Crônica: Pode não haver sintomas. Isso ocorre porque sangue suficiente ainda consegue chegar ao intestino por meio de vasos colaterais. Essas pequenas veias se formam gradualmente para transportar o sangue.

Causas

As principais causas são:

  • Lesão direta na veia devido à inflamação ou cirurgia.
  • Fluxo sanguíneo lento ou congestionado na veia mesentérica e veias adjacentes, devido a condições como cirrose, insuficiência cardíaca ou compressão de uma massa ou tumor.
  • Distúrbios de coagulação sanguínea

Já os fatores de risco podem ser:

  • Distúrbios de coagulação sanguínea hereditários ou adquiridos, incluindo aqueles causados ​​por alguns medicamentos.
  • Doença inflamatória intestinal
  • Cirrose
  • Pancreatite
  • Câncer de pâncreas
  • Insuficiência cardíaca
  • Baço aumentado
  • Algumas infecções virais, incluindo COVID-19

Diagnóstico

O diagnóstico ocorre com a realização do exame de angiotomografia.

Este exame de imagem utiliza contraste intravenoso para visualizar o fluxo sanguíneo através dos vasos sanguíneos.

Isso pode mostrar como o sangue está fluindo pelas artérias e veias do abdômen e revelar se há coágulo sanguíneo.

Às vezes, utiliza a angiografia por Ressonância magnética – Clínica Rossetti">ressonância magnética como alternativa ou para confirmar algo que não tem ficado claro na angiotomografia.

Tratamento

O tratamento ocorre com a aplicação de medicamentos para eliminar o coágulo sanguíneo e prevenir a formação de novos.

A aplicação da trombólise também pode ocorrer, no qual o médico utiliza um cateter para injetar medicamentos nas veias e destruir o coágulo sanguíneo.

Aplica-se a medicação ao longo de um período de 24 a 72 horas.

No caso de pacientes que não é possível utilizar a trombólise, a remoção cirúrgica do coágulo sanguíneo se faz necessária.

Por outro lado, se o intestino já tiver com danos permanentes, é realizada ressecação intestinal, sendo a cirurgia que remover parte do intestino, tendo em vista o bloqueio sanguíneo ocasionado pelo coágulo.

Considerações finais sobre estilo de vida, intestino e coagulação

Ter uma alimentação saudável, com a ingestão da variedade fontes de vitaminas, é essencial para o bom funcionamento do organismo e na prevenção de doenças.

Os alimentos como nabo, brócolis, óleos vegetais e grãos de cereais é uma fonte rica de vitamina k, responsável pela manutenção de ossos saudáveis e a coagulação sanguínea.

Quando a coagulação sanguínea fica comprometida, todos os órgãos sofrem, inclusive o intestino.

Por essa razão, estilo de vida, intestino e coagulação tem uma relação direta.

A falta de coagulação no intestino pode ocasionar a trombose intestinal, que é a formação de um coágulo sanguíneo na veia mesentérica superior.

Caso haja o bloqueio total do fluxo sanguíneo ao intestino, isso causará danos permanentes ao intestino e a ressecção intestinal é medida que se faz necessária para remover parte dele.

Desse modo, tendo fatores de risco como cirrose, distúrbios de coagulação sanguínea hereditária, pancreatite, insuficiência cardíaca, imprescindível o acompanhamento médico para realização de exames, de modo a receber um
tratamento assertivo.

Publicado em: 21 de outubro de 2025  ·  Atualizado: 21 de outubro de 2025
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