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Paralisia Cerebral: estimulação cerebral para a recuperação

Kelma Yaly

A paralisia cerebral é uma condição neurológica que pode se manifestar como problemas de tônus ​​muscular, postura ou distúrbios do movimento.

É o resultado de danos ao cérebro durante o desenvolvimento fetal ou de outra deficiência do desenvolvimento que afeta o desenvolvimento cerebral.

O principal efeito paralisia cerebral é a interrupção do controle do movimento muscular.

Importante considerar que a paralisia cerebral não causa automaticamente uma deficiência intelectual.

A Estimulação Cerebral Profunda (DBS) é uma técnica que visa recuperação motora.

Nesse artigo, será abordado como ela é realizada.

Tipos de paralisia cerebral

  • Espástico: Este tipo envolve rigidez muscular e espasmos
  • Discinético: Este tipo envolve problemas com o controle muscular
  • Misto: Este tipo envolve características dos tipos espástico e discinético

Principais causas

A paralisia cerebral ocorre em razão de danos em partes do cérebro que controlam o movimento.

O dano pode não afetar apenas essa parte, o que pode causar outros problemas. E esses tipos de danos podem ter várias causas e em diferentes momentos, incluindo antes, durante e depois do parto.

Os danos antes do parto representam cerca de 80% das causas.

Podemos elencar como principais causas:

  • Parto prematuro
  • Malformações congênitas devido a interrupções no desenvolvimento do cérebro fetal
  • Infecções no sistema nervoso central (cérebro ou medula espinhal)
  • Acidentes vasculares cerebrais que afetam o cérebro em desenvolvimento
  • Problemas genéticos que afetam o desenvolvimento fetal
  • Falta de fluxo sanguíneo ou oxigênio para o cérebro fetal
  • Hipoglicemia neonatal

A ocorrência após o nascimento também pode ocorrer e incluem como causas:

  • Lesões acidentais
  • Abuso físico
  • Asfixia
  • Infecção, derrames ou sangramento dentro e ao redor do cérebro
  • Icterícia

Sintomas

Os sintomas ocorrem quando não há movimentos, enquanto outros afetam certas partes do corpo, a aparência e o comportamento.

Alguns dos sintomas podem ser considerados:

  • Diferenças no tamanho da cabeça: podem incluir uma cabeça anormalmente pequena (microcefalia) ou uma cabeça anormalmente grande (macrocefalia)
  • Irritabilidade: Bebês podem parecer agitados ou irritáveis ​​com frequência.
  • Falta de interação: bebês e crianças podem não reagir às pessoas ao seu redor.
  • Hipotonia: Isso significa falta de tônus ​​muscular, dando às partes afetadas do corpo uma aparência “flácido”
  • Atraso no desenvolvimento: crianças com paralisia cerebral apresentam, no qual muito deles envolvem movimento, mas também podem envolver outras habilidades.

Outros sintomas característicos:

  • Rigidez nos braços e pernas que os torna difíceis de dobrar ou usar
  • Movimentos descoordenados
  • Movimentos que parecem lentos ou retorcidos
  • Espasmos ou contrações (distonia)

Fatores de risco

Os fatores de risco para o desenvolvimento da paralisia cerebral são:

  • Parto prematuro (bebês nascidos antes de 28 semanas de gestação apresentam o maior risco geral)
  • Baixo peso ao nascer
  • Condições que afetam a gravidez, como pré-eclâmpsia
  • Fetos múltiplos (gêmeos, trigêmeos)
  • Infecções que afetam a placenta ou o líquido amniótico

Complicações da paralisia cerebral

A paralisia cerebral está acompanhada de outras condições que acomete o paciente, entres: convulsões e epilepsia,
deficiência intelectual, condições que afetam sua capacidade de comunicação, problemas de visão e audição, transtornos de comportamento.

Tratamento

A paralisia cerebral não tem cura, mas os sintomas e efeitos são tratáveis.

Os tratamentos dependem de vários fatores, incluindo a gravidade e sintomas.

E são eles:

Medicamentos: podem tratar convulsões, espasticidade e muitos outros efeitos da paralisia cerebral. Dependem muito dos sintomas e efeitos da paralisia cerebral, portanto, variam bastante.

Fisioterapia e terapia ocupacional: podem ajudar com que a pessoa aprenda a lidar com muitas necessidades e tarefas cotidianas, ajudando inclusive no desenvolvimento da força e mobilidade.

Fonoaudiologia: Auxilia pacientes que apresentam problemas que afetam a capacidade de falar.

Terapia de saúde mental: Pessoas com paralisia cerebral frequentemente apresentam sintomas de depressão e ansiedade.

Assistência social e apoio educacional: Ter apoio na escola ou em outros aspectos da vida.

Estimulação cerebral Profunda (DBS)

A estimulação cerebral profunda (DBS) é um dos tratamentos para a recuperação motora.

Trata-se de uma técnica neurocirúrgica que envolve a implantação de eletrodos em áreas específicas do cérebro.

Esses eletrodos são conectados a um dispositivo semelhante a um marca-passo, que gera impulsos elétricos controlados para modular a atividade cerebral.

Desse modo, os eletrodos são fixados no crânio com dispositivos de fixação ou uma cola de uso hospitalar chamada de Histoacryl.

É um procedimento importante, pois o deslocamento de eletrodo inviabiliza uma resposta ao tratamento de forma adequada. Essa técnica tem sido muito utilizada no tratamento de distúrbios como Parkinson, distonia e tremores essenciais.

Somente é recomendado quando todas as opções médicas já foram utilizadas, porém, sem sucesso.

Para que o paciente possa ser submetido a essa cirurgia, deve ocorrer um estudo de Ressonância magnética – Clínica Rossetti">Ressonância Magnética de Encéfalo que consiga avaliar de forma volumétrica a região do globo pálido interno.

Importante ressaltar que essa técnica não pode compensar lesões estruturais permanentes ou outros déficits de função cerebral.

Ademais, a estimulação cerebral pode ajudar a reduzir indiretamente a rigidez muscular, melhorar a coordenação motora e facilitar o movimento, melhorando a qualidade de vida.

Além disso, ela é reversível e ajustável, o que significa que os médicos podem adaptar a terapia conforme as necessidades individuais de cada paciente ao longo do tempo.

Por fim, com a evolução da tecnologia de neuroestimulação já é possível o desenvolvimento de dispositivos mais sofisticados que podem melhorar ainda mais os resultados.

Considerações finais acerca da paralisia cerebral

A paralisia cerebral ocorre de forma imprevisível e geralmente se deve a uma combinação de fatores.

Apesar de ser uma condição grave e frequentemente cause incapacidades, os avanços na medicina permitem encontrar novos tratamentos que podem ajudar a aliviar os sintomas e efeitos.

A aplicação de medicamentos, fisioterapia são tratamentos que ajudam na diminuição dos sintomas.

Por outro lado, uma técnica que vem revolucionando e auxiliando pacientes com paralisia cerebral é a estimulação cerebral profunda (DBS).

Em que se pese ser uma cirurgia para a implantação de eletrodos no cérebro para a estimulação cerebral, ela é totalmente reversível e ajustável a longo prazo.

Desse modo, o paciente voltará a ter os movimentos e a coordenação motora, melhorando a sua qualidade de vida.

E graças aos avanços na medicina pessoas portadoras de paralisia cerebral podem viver uma vida mais longa, plena e com mais qualidade.

Publicado em: 21 de outubro de 2025  ·  Atualizado: 21 de outubro de 2025
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