A anorexia e a bulimia são transtornos alimentares sérios que afetam não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional.
Embora sejam condições relacionadas à saúde mental, é importante destacar que há tratamento disponível, o que possibilita melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Atualmente, estima-se que mais de 70 milhões de pessoas no mundo sofram com algum tipo de transtorno alimentar, incluindo anorexia e bulimia.
No Brasil, por exemplo, esse número chega a cerca de 15 milhões de pessoas. Isso significa que aproximadamente 1 em cada 20 brasileiros enfrenta alguma forma desse transtorno.
Em geral, esses distúrbios são mais comuns entre mulheres, especialmente no final da adolescência e início da vida adulta.
Além disso, fatores como a pressão estética nas redes sociais e o histórico familiar contribuem significativamente para o risco de desenvolvimento.
Neste artigo, portanto, vamos abordar de forma clara as principais causas e tratamentos para cada tipo de transtorno alimentar.
A bulimia nervosa é caracterizada pela ingestão exagerada de alimentos em um curto espaço de tempo, seguida por comportamentos compensatórios visando eliminar o que foi consumido.
Em outras palavras, o indivíduo sofre episódios de compulsão alimentar, o que frequentemente resulta em sentimentos intensos de culpa e desconforto.
Como forma de compensar essa culpa, a pessoa pode forçar o vômito, utilizar laxantes ou diuréticos, ou, ainda, praticar atividade física em excesso.
Trata-se, portanto, também de um transtorno de imagem, pois a preocupação extrema com o corpo leva a medidas drásticas para eliminar o alimento ingerido.
A bulimia pode ser dividida, basicamente, em dois tipos, conforme a forma como ocorre a eliminação do alimento:
De acordo com pesquisadores, a bulimia costuma ser resultado de uma combinação de fatores genéticos e comportamentais.
Além disso, o padrão social de valorização da magreza impõe uma pressão constante, o que leva muitas pessoas a adotarem práticas prejudiciais à saúde para atingir esse ideal estético.
Influências externas, como comentários sobre aparência, redes sociais e comparações com padrões irreais, comprometem a autoestima e impactam negativamente a imagem corporal, contribuindo para o desenvolvimento do transtorno.
Entre os principais fatores de risco, podemos destacar:
Portanto, quanto mais cedo os sintomas forem identificados, maiores são as chances de uma intervenção eficaz. O acompanhamento com profissionais especializados, aliado ao apoio familiar e social, faz toda a diferença no processo de recuperação.
As principais complicações da bulimia são:
Não existem exames para diagnosticar especificamente esse transtorno alimentar, porém, o diagnóstico é feito baseado no histórico, bem como se há episódios repetidos de compulsão alimentar, comportamentos de limpeza.
Também serão solicitados exames para confirmar se há indícios de desnutrição, problemas cardiológicos são eles:
Não há cura para bulimia e sim opções de tratamento.
Os tipos de tratamento são:
A anorexia também é um transtorno alimentar e de saúde mental em que a pessoa limita a ingestão calórica ao extremo.
As pessoas com anorexia adotam dietas extremas para manter o peso corporal o mais baixo possível, levando a desnutrição.
Existem dois tipos de anorexia:
Há vários fatores envolvidos na anorexia, incluindo fatores biológicos, psicológicos e sociais:
A anorexia pode afetar quase todos os órgãos e tecidos do corpo.
Se esse transtorno não for tratado pode acarretar:
O diagnóstico da anorexia pode ocorrer quando há obsessão anormal com o peso corporal e medo intenso de ganhar peso e autoimagem distorcida.
Após o histórico médico, como hábitos alimentares, rotinas de exercício, podem ser solicitados exames como:
O tratamento para a anorexia e a bulimia, geralmente, envolve uma combinação de terapia nutricional, psicoterapia, medicamentos e, em alguns casos, hospitalização.
Os profissionais de saúde indicam a hospitalização como último recurso, especialmente quando o paciente apresenta desnutrição grave ou outras complicações sérias.
Por outro lado, o tratamento a longo prazo foca especialmente na psicoterapia, essencial para mudar os padrões de pensamento e comportamento ligados aos transtornos alimentares.
Com isso, é possível desenvolver uma relação mais saudável com a alimentação, o peso e a imagem corporal. Além disso, a psicoterapia colabora para aumentar a autoestima, reduzir os pensamentos negativos e melhorar o controle do estresse.
Portanto, quando a pessoa demora a tratar a anorexia, ela aumenta os riscos à própria saúde física e mental.
A saúde mental influencia diretamente no desenvolvimento da anorexia e da bulimia, comprometendo significativamente a relação da pessoa com a comida.
Embora pareçam apenas questões de comportamento, são doenças sérias que, frequentemente, levam à desnutrição extrema e a diversas complicações físicas.
Isso ocorre, principalmente, porque quem sofre com essas condições enxerga o ato de se alimentar como algo negativo, muitas vezes com medo extremo de ganhar peso e, por consequência, restringe severamente o consumo de alimentos.
Ainda que qualquer pessoa possa desenvolver um transtorno alimentar, há maior risco entre aquelas com histórico familiar ou episódios de depressão e ansiedade. Embora não exista cura definitiva, é importante destacar que há tratamento disponível.
Inicialmente, recomenda-se a terapia cognitivo-comportamental aliada ao aconselhamento nutricional, o que permite reconstruir a relação com a comida.
No entanto, o tratamento pode ser longo e dependerá da gravidade e da duração do transtorno.
Por fim, a melhor forma de buscar a recuperação é por meio de um plano que combine psicoterapia e medicamentos, sempre com o acompanhamento de profissionais especializados.
Mais do que isso, ter apoio é fundamental, pois se sentir acolhido e compreender que outras pessoas também enfrentam a mesma luta já representa um passo valioso rumo à superação.