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Doenças degenerativas: O que compartilham?

Kelma Yaly

As doenças degenerativas são uma alteração do funcionamento, célula, tecido ou órgão, causando lesões podendo afetar a visão, os ossos, os tecidos, os vasos sanguíneos, entre outros.

As causas estão relacionadas com aspectos genéticos, fatores ambientais, má alimentação e sedentarismo.

A doença de Alzheimer e a esclerose múltipla são doenças degenerativas que podem apresentar alguns sintomas semelhantes, como comprometimento cognitivo.

Alguns casos, inclusive, muito raros a mesma pessoa pode apresentar as duas doenças.

Ainda não há um estudo aprofundado acerca dessa possibilidade, no entanto, há estudos que o diagnóstico de uma pessoa já portadora de esclerose múltipla pode ser diagnosticada com doença de Alzheimer, ocorrendo isso apenas post-mortem.

Nesse artigo abordaremos as principais causas, sintomas, tratamento e sobretudo semelhanças entre as doenças
de Alzheimer e esclerose múltipla.

Doença degenerativa - Alzheimer

Trata-se de uma doença no qual há um declínio cognitivo nas habilidades de memória, pensamento, aprendizagem e organização.

A doença de Alzheimer afeta principalmente pessoas com mais de 65 anos.

Quanto maior a idade, mais probabilidade do desenvolvimento da doença.

Pode acontecer de pessoas com menos de 65 anos apresentarem esse declínio cognitivo, geralmente isso ocorre entre 40 e 50 anos.

Menos de 10% das pessoas tem início precoce.

O que causa a Doença de Alzheimer?

A causa da doença de Alzheimer é um acúmulo anormal de proteínas no cérebro.

O acúmulo dessas proteínas causa a morte das células cerebrais.

Conforme os pesquisadores, o cérebro humano contém mais de 100 bilhões de células nervosas e outras células.

Essas células juntas são responsáveis como pensar, aprender, lembrar e planejar.

O acúmulo da proteína causa uma placa acaba bloqueando comunicação entre as células nervosas, impedindo a realização dos processos.

A morte das células nervosas resulta nos sintomas da doença de Alzheimer.

Os sintomas são diferentes para cada estágio da doença.

No estágio leve pode apresentar os seguintes sintomas:

  • Ter dificuldade em encontrar as palavras certas para expressar pensamentos
  • Perder ou extraviar objetos
  • Ter dificuldade em fazer planos ou organizar
  • Ter dificuldade em resolver problemas

Já no estágio moderado, os sintomas são:

  • Aumenta a perda de memória e a confusão
  • Memória de curto prazo fraca.
  • Dificuldade em reconhecer amigos e familiares.
  • Repete histórias, pensamentos ou eventos que estão em suas mentes.
  • Precisa de ajuda para cuidar de si, como tomar banho, se arrumar e usar o banheiro.
  • Desenvolver incontinência urinária e/ou incontinência fecal (intestino).
  • Distúrbios do sono

Por fim o estágio grave da doença apresenta como sintomas:

  • Perda quase total de memória.
  • Necessita de ajuda em todas as atividades básicas da vida cotidiana, como comer, sentar e caminhar.
  • Perde a capacidade de comunicação
  • Torna-se vulnerável as infecções

Para o diagnóstico da doença de Alzheimer serão solicitados:

  • Exame físico e um exame neurológico
  • Exame de estado mental, que inclui testes para avaliar memória, resolução de problemas
  • Exames de sangue e urina, para descartar outras possíveis causas dos sintomas.
  • Exames de imagem cerebral, como tomografia" title="Tomografia computadorizada – Clínica Rossetti">tomografia computadorizada do cérebro, Ressonância magnética – Clínica Rossetti">ressonância magnética do cérebro

Não há cura para a doença de Alzheimer, mas certos medicamentos podem retardar a doença.

Alguns medicamentos podem ajudar:

  • Antidepressivos: Trata ansiedade, inquietação, agressão e depressão.
  • Medicamentos ansiolíticos: Trata a agitação.
  • Medicamentos anticonvulsivantes: Trata a agressividade
  • Antipsicóticos: Trata a paranoia, alucinações e agitação.

Doença degenerativa- Esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma doença autoimune, ou seja, o sistema imunológico ataca as células saudáveis.

O sistema imunológico ataca as células da mielina, a bainha protetora que envolve os nervos do cérebro e
da medula espinhal.

Os danos à bainha de mielina interrompem os sinais nervosos do cérebro para outras partes do corpo.

Os fatores que podem desencadear a esclerose múltipla são:

  • Exposição a certos vírus ou bactérias: Algumas infecções como o vírus Epstein-Barr podem desencadear
    a esclerose múltipla.
  • Sistema imunológico: Pesquisadores em busca de explicações da razão que faz com que as células imunológicas de algumas pessoas ataquem as células saudáveis.
  • Mutações genéticas: Ter alguém com a doença na família aumenta o risco da doença, no entanto, não está claro para os estudiosos qual gene desencadeia a mutação genética.

Podemos elencar como principais sintomas

  • Fadiga
  • Perda de equilíbrio ou coordenação
  • Espasmos musculares
  • Fraqueza muscular
  • Formigamento ou dormência, especialmente nas pernas ou braços

O diagnóstico ocorre por meio da realização de uma ressonância magnética para localizar eventuais lesões (áreas de dano) no cérebro ou na medula espinhal que indicam esclerose múltipla.

O exame mostra a presença de lesões antigas e a natureza ativa da doença, seja revelando lesões ativas com
contraste ou novas lesões durante o acompanhamento por ressonância magnética.

A punção lombar pode ser feita para verificar se há lesões se desenvolvem como resultado de danos à bainha de
mielina que envolve os nervos.

Assim como a doença de Alzheimer a esclerose múltipla não tem cura.

No entanto, há tratamento que prevê:

  • Medicamentos: O uso de corticosteroides pode reduzir a inflamação, pois retardam o dano à bainha de mielina que envolve as células nervosas.
  • Reabilitação física: Por afetar a mobilidade, a reabilitação física auxilia a fortalecer o corpo.
  • Acompanhamento psicológico: A esclerose múltipla pode afetar o humor e a memória, de modo que o apoio emocional é uma parte essencial do controle da doença.

Semelhanças entre doenças degenerativas de Alzheimer e Esclerose Múltipla

Um diagnóstico de doença de Alzheimer e esclerose múltipla pode ser desafiador.

Ambas as doenças podem apresentar alguns sintomas semelhantes, como comprometimento cognitivo.

As duas enfermidades afetam mulheres e podem estar associadas a um distúrbio autoimune.

Em que pese a esclerose múltipla se manifeste na faixa etária entre os 20 e 40 anos, a doença de Alzheimer surge depois dos 50 anos.

Há estudos que essas doenças estão associadas a infecções virais, como a do vírus Epstein Barr, causador da mononucleose infecciosa ou de herpes.

Apesar da semelhança, ainda, sim, é possível alcançar um diagnóstico da esclerose múltipla que está associada
a sintomas como dores, tremores e disfunção muscular ao passo que a doença de Alzheimer está associada
com a perda progressiva da cognição (pensamentos, memórias e associações) com transtornos de humor e de comportamento.

Considerações finais sobre doenças degenerativas em especial doença de Alzheimer e esclerose múltipla

As doenças degenerativas são uma alteração do funcionamento, célula, tecido ou órgão, os comprometendo.

Algumas doenças, entre elas Alzheimer e esclerose múltipla, compartilham alguns dos mesmos sintomas e causas.

Por isso, um diagnóstico pode ser desafiador.

Em que pese essas doenças degenerativas afetarem o comprometimento cognitivo, ainda sim é possível diferenciá-las, como dores, tremores e disfunção muscular são sintomas da esclerose múltipla, ao passo que perda de memórias e associações estão relacionados a doença do Alzheimer.

O tratamento da esclerose múltipla é a redução da inflamação nas articulações e nos tecidos com esteroides e anti-inflamatórios, já a doença de Alzheimer o tratamento é incerto, pois depende de pessoa a pessoa, já que nenhum tratamento é capaz de curar, reverter ou retardar a progressão da doença.

Desse modo, uma análise minuciosa do paciente é fundamental para um diagnóstico assertivo.

Publicado em: 29 de agosto de 2024  ·  Atualizado: 29 de agosto de 2024
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