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O perigo da gordura interna no abdômen: entenda

Kelma Yaly

A gordura interna (visceral) no abdômen também é conhecida como gordura visceral, pois fica localizada junto aos órgãos e tecidos internos.

Trata-se da gordura que reveste as paredes abdominais e envolve muitos dos órgãos internos.

Essa gordura é por vezes chamada de "gordura ativa" porque desempenha um papel ativo no funcionamento do corpo e ter alguma gordura é normal e saudável, pois ela amortece e protege os órgãos internos.

Por outro lado, ter gordura interna (visceral) em excesso pode ser prejudicial, principalmente, por acarretar a um maior risco de doenças cardiovasculares.

Localização e composição da gordura interna (visceral)

A gordura interna (visceral) amortece ou envolve diversos órgãos internos, incluindo:

  • Coração
  • Intestinos
  • Rins
  • Fígado e vesícula biliar
  • Mesentério
  • Pâncreas
  • Estômago

A gordura abdominal inclui tanto a gordura interna (visceral) quanto a subcutânea.

Ela é composta por adipócitos ou células de gordura.

Os adipócitos desse tipo de gordura são sensíveis a hormônios e isso pode afetar como o corpo metaboliza e armazena a gordura.

Ou seja, no caso do diabetes, doença que causa síndrome metabólica,  isso altera a forma como o corpo processa os sinais hormonais, por essa razão que a gordura interna (visceral) aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

Principais causas da gordura interna (visceral)

A genética determina a quantidade de gordura interna (visceral) e a localização dessa gordura no corpo, determinando inclusive o formato do corpo.

Ademais fatores ambientais e escolhas influenciam a quantidade de gordura interna (visceral), como, por exemplo, comer alimentos gordurosos e carboidratos (açúcares) pode fazer com que o corpo forme mais gordura.

O estresse também é um fator que pode determinar o aumento da gordura.

O cortisol é o hormônio do estresse e pode afetar os adipócitos da gordura interna (visceral), acarretando armazenamento dessa gordura.

Distúrbios que afetam a gordura interna (visceral)

A condição mais comum é a obesidade e problemas relacionados, tais como:

Mas certas doenças do sistema endócrino também podem afetar, como a Síndrome de Cushing, hipotireoidismo e a esteatose hepática associada à disfunção metabólica.

A gordura "invisível"

Em recente estudo, os pesquisadores da Universidade McMaster no Canadá, revelou que o acúmulo de gordura no abdômen e no fígado, mesmo em pessoas saudáveis, está associado a danos silenciosos nas artérias e pode elevar o risco de derrame e infarto.

Ela está associada ao espessamento e à obstrução das artérias carótidas, responsável por levar sangue ao cérebro.

Desse modo, são responsáveis pelo maior risco para doenças cardíacas e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Importante considerar, que esse efeito permaneceu mesmo em pessoas com colesterol e pressão arterial em níveis satisfatórios, o que indica que esse tipo de gordura, também conhecida como "invisível" é mais perigosa que o colesterol.

Os pesquisadores indicam que duas pessoas com o mesmo peso podem ter riscos cardiovasculares muito diferentes, dependendo de onde a gordura está concentrada.

Isto posto, a orientação é a prevenção de doenças cardiovasculares, incluindo uma alimentação equilibrada, controle do sedentarismo e exames de imagem quando indicados.

Por isso, não basta estar no peso ideal, pois a gordura que se acumula em locais invisíveis pode ser mais perigosa do que o excesso de peso.

Quantidade de gordura interna (visceral)

O nível normal de gordura deve ser em torno de 10% da gordura corporal total. Para calcular o nível de gordura interna deve determinar a porcentagem de gordura corporal total e subtrair 10%.

Caso, a porcentagem de gordura corporal for maior do que a recomendada, o nível de gordura visceral também será maior.

Maneiras de verificar a distribuição de gordura corporal

A chamada gordura "invisível" somente é possível verificar por meio de exames de imagem, tais como Ressonância magnética – Clínica Rossetti">ressonância magnética (RM) e tomografia" title="Tomografia computadorizada – Clínica Rossetti">tomografia computadorizada (TC), que são mais precisos e detalhados.

Outros métodos incluem a ultrassonografia, que é uma opção mais acessível e a bioimpedância, que é um método mais simples e menos especifica para a localização da gordura interna (visceral).

Ademais, medidas simples, como as medidas corporais, são indicativos para a gordura "invisível", e
são elas:

  • Medida da cintura: Para mulheres, 89 cm ou mais significa risco de problemas de saúde decorrentes da gordura interna. Para homens, o limite é de 102 cm.
  • Cintura-quadril: Deve dividir a medida da cintura pela medida do quadril, para mulheres acima de 0,85 em mulheres e 0,90 em homens indica obesidade abdominal.
  • Índice de massa corporal (IMC) O IMC mede a gordura corporal com base na sua altura e peso. Um IMC de 30 ou mais indica sobrepeso e ter um nível mais elevado de gordura interna (visceral)
  • Cintura-estatura: Dividir a medida da cintura pela sua altura. A circunferência da cintura não deve ser superior à metade da altura. Alguns estudos mostram que uma relação maior que essa pode aumentar o risco de doenças circulatórias e metabólicas.

Medidas para eliminar a gordura interna (visceral)

A gordura interna é mais fácil de perder do que a gordura subcutânea.

Para isso deve adotar uma rotina consistente de atividades físicas e controle de alimentação, o que pode
acarretar perda em dois a três meses.

As mesmas medidas adotadas para a perda de peso também auxiliam na perda da gordura interna e são elas:

  • Manter um estilo de vida saudável: Com prática de atividade física e alimentação balanceada.
  • Atividade física regular: Realizar ao menos 30 minutos de exercício por dia, cinco dias por semana. Pode escolher por exercícios aeróbicos ou de força.
  • Controle da alimentação: A dieta mediterrânea é muito recomendada
  • Jejum intermitente: Essa estratégia consiste em controlar o que come ou não come. Isso estimula o corpo a se concentrar na queima de gordura armazenada.
  • Sono regular e de qualidade: A falta de sono sobrecarrega o corpo, o que pode levar ao acúmulo de gordura interna ou dificultar a eliminação.
  • Redução do estresse: O estresse pode contribuir para o ganho de peso.
  • Evitar ou limitar consumo de álcool: O álcool tem muitas calorias e o excesso de álcool pode sobrecarregar o fígado, que também processa a gordura para que o corpo possa utilizá-la.

Considerações finais

Por fim, concluímos que a gordura interna no abdômen ou gordura visceral está localizada junto aos órgãos e tecidos internos.

Essa gordura reveste as paredes abdominais e envolve os órgãos internos.

Ela também conhecida como gordura invisível, pois apesar da pessoa estar no peso ideal e o colesterol em níveis normais, o acúmulo da gordura encontra-se entre os órgãos.

Esse tipo de gordura é mais prejudicial que o colesterol, pois é responsável pelas doenças cardiovasculares.

Por tudo isso, importante é ter um estilo de vida saudável, com uma alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos.

Somente desse modo será possível diminuir a gordura "invisível".

Publicado em: 15 de novembro de 2025  ·  Atualizado: 15 de novembro de 2025
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