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Pedra na Vesícula? Entenda melhor

Kelma Yaly

O cálculo biliar, mais conhecido também como pedra na vesícula, são pedaços endurecidos de bile que se formam na vesícula biliar ou nos ductos biliares.

Em regra não causam problema, mas podem ficar presos no trato biliar.

A vesícula biliar retém e armazena a bile para uso posterior.

O fígado produz a bile e os ductos biliares a transportam para os diferentes órgãos do trato biliar.

Em suma, os cálculos biliares se formam quando o sedimento biliar se acumula e cristaliza.

Gravidade em ter pedra na vesícula

Os cálculos biliares, ou pedra na vesícula, não é algo que seja considerado grave. Há pessoas que tem e desconhecem, pois não causam sintomas.

Por outro lado, eles podem se tornar perigosos se movimentarem no trato biliar e ficarem preso. Com uma eventual obstrução, pode ocasionar e complicações graves.

A pedra cresce e na medida que a bile continua a preencher deixa uma nova camada de sedimento.

O que começa como um grão de areia pode crescer o suficiente para interromper o fluxo de bile, especialmente se entrar em um espaço estreito, como um ducto biliar ou o colo da vesícula biliar.

Principais causas

A pedra na vesícula se forma quando há excesso de um dos principais ingredientes da bile.

O excesso se transforma em sedimento que endurece e se transforma nas pedras.

O tipo mais comum são os compostos por colesterol.

Muito são os fatores envolvidos nesse processo:

  • Excesso de colesterol: O fígado extrai colesterol do sangue para produzir bile. Caso haja muito colesterol no sangue, as proporções na bile serão desequilibradas.
  • Excesso de bilirrubina: A bilirrubina é um subproduto da quebra da hemoglobina dos glóbulos vermelhos. Pode ocorrer excesso de bilirrubina se ocorrer um distúrbio sanguíneo que destrua muitos glóbulos vermelhos.
  • Ácidos biliares insuficientes: Certas doenças podem causar má absorção de ácidos biliares, ocasionado perda dos ácidos biliares nas fezes. Caso tenha uma perda grande, o fígado não terá o suficiente para produzir bile. A falta de ácidos biliares cria um excesso de lipídios (colesterol) na bile.
  • Colestase: Os ductos biliares ou a vesícula biliar não estão movimentando a bile de forma eficaz em razão de interrupção.

Fatores de risco

Muitas doenças e condições podem afetar o fluxo biliar ou os níveis de colesterol, bilirrubina ou ácido biliar.

Pode-se considerar como fatores de risco:

  • Idade: Os cálculos biliares levam tempo para se desenvolver e crescer o suficiente para causar uma obstrução. Os homens têm maior probabilidade de desenvolvê-los após os 60 anos e as mulheres entre 20 e 50 anos.
  • Hormônios: As mulheres têm mais chances de desenvolver cálculos biliares. O risco aumenta e diminui conforme os níveis de estrogênio e progesterona. O estrogênio aumenta os níveis de colesterol, enquanto a progesterona retarda o esvaziamento da vesícula biliar.
  • Peso: A gordura corporal libera estrogênio, portanto, ter uma quantidade maior aumenta os níveis de estrogênio e de colesterol. A perda de peso libera grandes quantidades de colesterol na bile.
  • Genética: ter histórico familiar de cálculos biliares pode ter maior probabilidade de desenvolvê-los.

Sintomas

A pedra na vesícula geralmente não causa sintoma, salvo se causa bloqueio.

Esse bloqueio causa sintomas, como dor na parte superior do abdômen e também náuseas.

Outros sintomas podem aparecer tais como:

  • Febre
  • Frequência cardíaca rápida
  • Inchaço e sensibilidade abdominal
  • Tonalidade amarelada na pele e nos olhos
  • Urina de cor escura e fezes de cor clara

A dor típica de cálculo biliar é repentina e intensa, podendo causar enjoo.

Ela é mais intensa após comer, quando a vesícula biliar se contrai, criando mais pressão no sistema biliar. A dor ocorre, pois um cálculo biliar ficou preso no trato biliar e causou um bloqueio.

Uma refeição gordurosa desencadeará uma contração maior da vesícula biliar e causando a dor.

Isso ocorre porque o intestino delgado detecta o conteúdo de gordura na refeição e informa à vesícula biliar a quantidade de bile necessária para ajudar a quebrá-la.

A vesícula biliar responde expelindo a bile necessária para os ductos biliares.

Complicações em decorrência da pedra na vesícula

Se uma pedra bloquear o fluxo de bile pelo sistema biliar, ele pode afetar qualquer um ou todos os órgãos desse sistema.

A bile que não consegue fluir retorna para os dutos biliares e órgãos, causando inflamação aguda e favorecendo infecções bacterianas.

Trata-se de uma condição muito grave e pode ocorrer:

  • Colecistite (inflamação da vesícula biliar)
  • Pancreatite (inflamação do pâncreas)
  • Hepatite (inflamação do fígado).
  • Icterícia (bile na corrente sanguínea)
  • Septicemia (uma infecção na corrente sanguínea)

Diagnóstico

Com o aparecimento dos sintomas, é possível solicitar exame de sangue para confirmar inflamação, infecção ou icterícia e oferecer pistas sobre quais órgãos estão afetados.

Com a ultrassonografia abdominal vai localizar a maioria das pedras redor da vesícula biliar.

Mas se estiver preso em outro local do trato biliar, será preciso outro tipo de exame para encontrar.

Tratamento para pedra na vesícula

Quando a pedra na vesícula causa um bloqueio, será preciso que ocorra a remoção por meio de cirurgia. A remoção da vesícula biliar é a única solução confiável a longo prazo para cálculos biliares.

É um dos procedimentos mais comuns e geralmente feito por laparoscopia.

Com a retirada, a bile fluirá diretamente do fígado para o intestino delgado.

Ocasionalmente, algumas pessoas que precisam de tratamento para cálculos biliares não estão em condições seguras para se submeter à cirurgia de remoção da vesícula biliar.

Diante disso, a colecistostomia é uma alternativa, no qual é colocado um cateter na vesícula para drená-la.

Prevenção

Não há uma maneira de prevenir a formação de pedra na vesícula, mas é possível reduzir o risco.

Pode se diminuir a propensão de desenvolver cálculo biliar formado de colesterol, adotando uma dieta saudável.

Para pessoas acima do peso ou sofrem com a obesidade, perder peso pode reduzir o risco de desenvolvê-los.

Considerações finais sobre pedra na vesícula

Em suma, a pedra na vesícula é muito comum e as pessoas não se importam, pois não incomodam.

Ela ocorre devido ao desenvolvimento de sedimento que se acumula e vai cristalizando. Esse sedimento é a pedra, cuja composição pode ser de colesterol ou bilirrubina.

A dor ocorre quando ocorre a contração da vesícula ou decorrência da ingestão de gordura, ou bloqueio no
trato biliar.

A partir do momento que o cálculo começa a se movimentar e obstruir o trato biliar, será essencial a realização cirurgia para a remoção.

A remoção da vesícula biliar é um procedimento comum com excelente prognóstico.

Desse modo, com a retirada da vesícula toda dor desaparecerá em poucas horas após os primeiros sintomas.

Por isso, a cirurgia é altamente recomendada para quem possui pedra na vesícula, pois só assim será alcançada a cura.

Publicado em: 5 de setembro de 2025  ·  Atualizado: 5 de setembro de 2025
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