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Classificação do AVC: porque saber o tipo muda o tratamento

Kelma Yaly

Primeiramente, é importante entender que o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorre quando um coágulo sanguíneo (ou um vaso sanguíneo) rompido impede que o sangue chegue ao cérebro.

Infelizmente, os acidentes vasculares cerebrais são a segunda principal causa de morte no mundo.

Trata-se de um problema sério e pode causar consequências graves e, por isso, precisa ser tratado rapidamente.

Ou seja, se não tratada, essa condição pode resultar em danos às células cerebrais e em deficiências permanentes.

Por esse motivo, a classificação do Acidente Vascular Cerebral (AVC) é primordial para atribuir o tratamento mais
assertivo.

Desse modo, o AVC pode ser classificado em dois tipos principais: o AVC hemorrágico e o AVC isquêmico.

AVC Hemorrágico

O AVC do tipo hemorrágico ocorre em razão do rompimento de um vaso sanguíneo, causando hemorragia intracerebral.

Ou seja, essa hemorragia pode levar a danos às células cerebrais e sintomas graves.

O AVC hemorrágico é raro, no entanto, o potencial de fatalidade é superior ao potencial do AVC isquêmico.

As principais causas são:

  • Pressão alta
  • Rompimento de um aneurisma
  • Hemofilia
  • Arritmias cardíacas
  • Radioterapia no pescoço ou cérebro
  • Doenças das válvulas cardíacas
  • Defeitos cardíacos congênitos
  • Vasculite
  • Insuficiência cardíaca
  • Infarto agudo do miocárdio

Sintomas de Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico

Os sintomas são sempre súbitos e podem ocorrer:

  • Fraqueza de um lado do corpo
  • Perda da sensibilidade ou do campo visual de um, ou ambos os olhos
  • Tontura
  • Dificuldade para falar ou para compreender palavras simples
  • Perda da consciência
  • Crises convulsivas

AVC Isquêmico

Paralelamente, temos também o AVC do tipo isquêmico, que ocorre quando um coágulo obstrui um vaso sanguíneo responsável por levar sangue ao cérebro.

Essa interrupção do fluxo sanguíneo resulta em danos às células cerebrais.

O AVC isquêmico se divide em quatro subgrupos, que possuem as seguintes causas:

  • AVC isquêmico atero trombótico: aterosclerose
  • AVC isquêmico cardioembólico: êmbolo causador do derrame que parte do coração
  • AVC isquêmico de outra etiologia: distúrbios de coagulação no sangue
  • AVC isquêmico criptogênico: origem desconhecida

Os coágulos nesse tipo de AVC podem ocorrer:

  • Aterosclerose (artérias endurecidas)
  • Fibrilação atrial (especialmente quando causada por apneia do sono )
  • Distúrbios de coagulação
  • Defeitos cardíacos (incluindo defeito do septo atrial e defeito do septo ventricular)
  • Doença isquêmica microvascular

Fatores de risco do AVC

Os principais fatores de risco são:

  • Ter mais de 65 anos
  • Fumar ou usar outras formas de tabaco, ou nicotina
  • Uso de drogas recreativas ou sem receita
  • Transtorno por uso de álcool
  • COVID 19
  • Dores de cabeça frequentes de enxaqueca
  • Pressão alta
  • Colesterol alto
  • Diabetes tipo 2

Sinais que antecedem o AVC

Por meio de alguns sinais é possível diagnosticar que a pessoa está sofrendo um AVC.

Pode-se considerar:

  • Equilíbrio: Perda repentina de equilíbrio
  • Olhos: Perda repentina de visão ou alterações em um, ou ambos os olhos
  • Rosto: Flacidez em um ou ambos os lados do rosto.
  • Braços: Um braço ficará flácido ou caído de uma forma que normalmente não acontece
  • Fala: Dificuldade para escolher as palavras certas

A partir desses sinais e quando iniciaram é possível escolher o melhor tratamento, por isso o tempo é crucial para determinar o tipo de tratamento mais adequado.

Tratamento

A partir dos sinais é possível obter o diagnóstico com o apoio dos seguintes exames:

  • Exames de sangue
  • tomografia" title="Tomografia computadorizada – Clínica Rossetti">Tomografia computadorizada
  • Eletroencefalograma
  • Eletrocardiograma
  • Ressonância magnética – Clínica Rossetti">Ressonância magnética

Ademais, o tratamento vai de depender o quanto foi danificado o cérebro, a área afetada e o tipo de AVC.

Para os casos de AVC isquêmico, o coágulo sanguíneo que o causou será dissolvido ou removido.

Será necessário o uso de medicamentos trombolíticos ou cirurgia (geralmente uma trombectomia mecânica).

Além do mais, também é prescrito medicamentos para o controle da pressão arterial.

Para esse tipo de Acidente Vascular Cerebral pode ser prescrito anticoagulantes (como varfarina) ou antiagregantes plaquetários (como aspirina) para prevenir novos coágulos, medicamentos que devem ser utilizados a longo prazo.

Já nos casos de AVC hemorrágico haverá o controle do sangramento que o causou.

Será preciso também utilizar medicamentos para estancar o sangramento no cérebro e controlar a pressão arterial.

Os medicamentos anticoagulantes, que podem ter causado o sangramento, são interrompidos e utilizados outros para reverter os efeitos.

Outra parte do tratamento é cirúrgico e consiste na redução do aumento da pressão intracraniana ao redor do cérebro.

Para esse procedimento, é inserido um cateter para avaliar a pressão dentro do crânio, que aumenta por conta do inchaço do cérebro após o sangramento.

Ademais, importante ressaltar que a cirurgia não ocorre logo no início dos sintomas, pois em alguns pacientes pode apresentar um novo sangramento poucas horas depois do primeiro.

Reabilitação de AVC

A reabilitação pós-AVC faz parte do tratamento é suma importância.

A reabilitação é necessária para adaptar às mudanças no cérebro e no corpo após um AVC.

Pode ser necessário recuperar habilidades ou adaptar a novas, ou diferentes deficiências.

A reabilitação consiste:

  • Reabilitação cognitiva para melhorar memória, concentração e outras habilidades mentais
  • Terapia ocupacional para a execução das tarefas diárias com segurança
  • Fisioterapia para fortalecer músculos, melhorar o equilíbrio e recuperar o uso de braços e pernas
  • Terapia da fala para recuperar ou melhorar a linguagem e habilidades de fala e controlar os músculos

Prevenção

A redução dos riscos em ter um Acidente Vascular Cerebral decorre principalmente em manter um estilo de vida saudável.

Por isso a recomendação é:

Desse modo, muitas das condições e problemas de saúde que podem causar um Acidente Vascular Cerebral se desenvolvem e se acumulam ao longo do tempo, podendo não apresentar sintomas.

Considerações finais

Em suma, um Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma emergência médica.

Ter um diagnóstico e tratamento o mais rápido possível é a melhor maneira de aumentar as chances de sobrevivência e recuperação.

A classificação do tipo determina o tratamento mais assertivo, ou seja, determinará o tipo de medicamento a ser usado.

Os dois principais tipos, AVC isquêmico e hemorrágico, exigem abordagens de tratamento opostas, e o uso de terapias erradas pode ser fatal.

A recuperação não é fácil, por isso a reabilitação e o uso contínuo dos medicamentos, no caso de AVC isquêmico, é primordial para o sucesso no tratamento, sobretudo para ter uma melhor qualidade de vida.

Publicado em: 31 de outubro de 2025  ·  Atualizado: 31 de outubro de 2025
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